sábado, 22 de agosto de 2009

Openião 1


Foto; Sérgio Santimano. Rio Luambala/Niassa 2003

Hora de lutar contra os ‘novos colonos’ !
Philippe Gagnaux coloca os passos ou pressões ao governo colonial para dar independência a Moçambique: ‘potencias internacionais e golpe Revolução de Abril de 1974’” dizes na tua carta.
Para mim, Gagnaux traz a público aquilo que a minoria já sabia – aliás o historiador Issuf Adam sempre transpareceu isso nas entrelinhas dos seus discursos e escritos. Na minha opinião, não vale a pena a sociedade atirar pedra contra Chipande, como alguns politica e cronicamente emocionados o fizeram desde que mais um pequeno barril de pólvora finalmente explodiu – e desta vez pela boca daquele que se suspeita que seja o autor do primeiro tiro, como até ele próprio confessou! É sim, chegado o momento para académicos e intelectuais começarem a reequacionar a nossa História. E você como historiador sabe como deve ser feito.
Deixemos a História como instrumento deste debate e usemos o Direito, como ciência social. Se Chipande diz que um antigo combatente tem o direito de ser rico, nós – a sociedade – não devemos perder tempo para arrancá-los esse direito que me parece o exerce há mais de 3 décadas.
Nisto é interessante que seja um colosso da própria FRELIMO a destapar a lixeira da qual podemos, com algum sacrifício, rebuscar rastos da História. Na verdade, continuo a pensar que Chipande quis tão-somente ser honesto e colocar mãos à palmatória – e está recebendo boa chibatada – para vir a público dizer: abram os olhos para enxergar as causas dos no país haver poucos ricos e muitos pobres, todos como resultado da independência.
Usemos o Direito como a única arma que nos resta: hoje Moçambique não possui a almejada classe média – para tanto lutamos – que tenha o básico recomendado pela Declaração Universal dos Direitos do Homem. Aqui, companheiro Mapengo, dizer que estamos lixados é falta de modéstia pois estamos definitivamente condenados a assistir – o pior é coabitar - com uma dúzia de Chipandes que se tornaram ricos – Mia Couto prefe chamá-los de endinheirados – porque pegaram em armas. Nós – a maioria – afinal, somos pobres por culpa dos nossos pais que não ‘quiseram’ pegar em armas não obstante terem se apercebido que Moçambique estaria livre do jugo colonial? Era esse o sonho de Samora e Mondlane?
O “Zambeze” desta semana cita na sua capa Chipande a dizer que Samora e Eduardo também poderiam ser ladrões. Então os Chipandes estão a dizer que são ladrões? Se sim porque a PGR não os acusa por enriquecimento ilícito? Recordo-me que Jorge Rebelo, falando à OJM no anfiteatro da faculdade de medicina em Novembro2007, se insurgiu contra alguns camaradas: “ onde eles arranjam dinheiro para serem ricos? Foi por causa disso que lutamos?”, interrogou-se aquele antigo combatente e autor do “ Não basta que seja justa a causa …é preciso que a justeza esteja dentro de nós ( In Poesias de Combate”. Concluiu que não admitia que alguns lhe chamasse “ camarada” porque existem muitos desses que militam na FRELIMO em busca de benesses fáceis. A esses todos Rebelo – a quem eu considero o último dedo duro depois de Samora – classificou-os de Xiconhocas, os inimigos que diz não valer a pena lutar contra eles porque estão cada vez se multiplicando e se camuflando em centenas de xicos e xiquinhos que também querem ser ricos em nome dos seus avôs que foram à guerra.
O que devemos debater doravante é: como nós podemos tornar os nossos filhos e netos em herdeiros de riqueza se não já não há Nympines nem colonos europeus para comabter , nem pressão da ONU para Moçambique se tornar mais uma vez independente? E ai , camarada Mapengo, que fazemos mesmo? - Assistir Chipandes a rotarem nas nossas caras ou combate-los como novos colonos?
Anselmo Titos/jornalista/ @VERDADE

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