domingo, 30 de setembro de 2007

José Craveirinha


AUTOBIOGRAFIA
Nasci a primeira vez em 28 de Maio de 1922. Isto num domingo. Chamaram-me Sontinho, diminutivo de Sonto.

Isto por parte da minha mãe, claro.

Por parte do meu pai, fiquei José.
Aonde? Na Av. Do Zihlahla, entre o Alto Maé e como quem vai para o
Xipamanine
Bairros de quem? Bairros de pobres.
Nasci a segunda vez quando me fizeram descobrir que era mulato.
A seguir, fui nascendo à medida das circunstâncias impostas pelos outros. Quando o meu pai foi de vez, tive outro pai: seu irmão.
E a partir de cada nascimento, eu tinha a felicidade de ver um problema a menos e um dilema a mais.

Por isso, muito cedo, a terrra natal em termos de Pátria e de opção.

Quando a minha mãe foi de vez, outra mãe: Moçambique.A opção por causa do meu pai branco e da minha mãe preta.

Nasci ainda outra vez no jornal "O Brado Africano".

No mesmo em que também nasceram Rui de Noronha e Noémia de Sousa.Muito desporto marcou-me o corpo e o espírito. Esforço, competição, vitória e derrota, sacrifício até à exaustão. Temperado por tudo isso.

Talvez por causa do meu pai, mais agnóstico do que ateu.

Talvez por causa do meu pai, encontrando no Amor a sublimação de tudo. Mesmo da Pátria. Ou antes: principalmente da Pátria. Por parte de minha mãe, só resignação.Uma luta incessante comigo próprio. Autodidata.Minha grande aventura: ser pai. Depois, eu casado. Mas casado quando quis. E como quis.Escrever poemas, o meu refúgio, o meu País também. Uma necessidade angustiosa e urgente de ser cidadão desse País, muitas vezes, altas horas a noite.[279]
Etiquetas: Maputo 2000.
Foto: Sérgio Santimano

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