sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Um Estado que se dimitiu

Foto; Sérgio Santimano; Bamako/Mali, Nov. 2007
A propósito da subida do preço do pão e dos transportes públicos e privados, o semanário "Savana" tem na sua edição de hoje um editorial do qual extraí as seguintes passagens:
"(...) Moçambique, onde os cidadãos elegem o Governo, mas a sua relação com este mesmo Governo termina no próprio dia das eleições. Em Moçambique, os cidadãos não gozam da protecção do Governo em todas as frentes, incluindo no que diz respeito à alimentação básica e ao transporte.
Saímos de um extremo para o outro.
Na época da pretensão socialista, os moçambicanos poderiam ter acesso a serviços e bens quase a custo zero.
Na nova era capitalista, o Estado dimitiu-se totalmente das suas responsabilidades, e o povo não tem muitas alternativas de sobrevivência.
(...) Um Governo que não tem capacidade de providenciar transporte seguro para os seus cidadãos e colocar-lhes na mesa pão aa preço acessível precisa de repensar sobre a necessidade
Enquanto isso, no mesmo semanário, o jornalista Machado da Graça critica severamente a decisão tomada pelo Ministério da Mulher e da Acção Social de mandar evacuar os reformados da APOSEMO do antigo edifício do Velhos Colonos para ali se instalar.
Obras por todo o lado, até o parque infantil anexo está ser destruído.
Os burocratas de um Ministério enorme vão ocupar o lugar onde os reformados ainda podiam respirar, remetidos que foram, agora, para uma modesta creche, algures na cidade de Maputo.
E ante este triste cenário de um Estado cada vez mais distante do seu povo, ao serviço frontal dos interesses capitalistas, encontramos no semanário "O País" quatro páginas de uma entrevista feita ao presidente da República, Armando Guebuza, na qual este se mostra muito optimista com o crescimento do país e traça um auto-retrato meritório da sua governação.

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