segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"Banqueiros de olhos azuis"

foto; S.Santimano.Da série "Cabo Delgado uma história fotográfica sobre África" 1997.

A visão económica do presidente Lula, detractor do desregulamento das economias de mercado e da iniciativa privada, foi ecoada pelo público de 20 países numa sondagem da BBC que revela forte apoio em todo o mundo por uma maior intervenção dos Governos na economia.
A sondagem, feita a 22 mil pessoas, identificou um apoio maioritário ao estímulo e regulação governamental da economia em 13 dos 20 países contemplados.
Mas a política de injecções de capital público para salvar os bancos revelou-se mais controversa.
Enquanto uma maioria de inquiridos britânicos se mostrou a favor, mais de 60 por cento dos norte-americanos declarou-se contra, enquanto que na Alemanha, o número dos que desaprovam a intervenção dos Governos para resgatar os bancos da falência ascendeu aos 70 por cento.
Responsáveis
Entretanto, numa entrevista exclusiva à BBC, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que os países ricos do mundo são responsáveis pela actual crise económica global porque não agiram para controlar os seus sistemas financeiros.
Lula da Silva reiterou a sua controversa afirmação de que banqueiros brancos de olhos azuis deveriam ser responsabilizados pela crise.
“O que queria dizer está mais forte hoje do que estava na época. Porque na Europa, muitos países para resolverem o problema da crise, dificultam a vida dos imigrantes, são os pobres do mundo que trabalham no mundo rico, as primeiras vítimas da crise económica”, reiterou.
Segundo explicou “há quem defenda, em campanhas, que se diminuam estrangeiros para que haja mais empregos para os nacionais, em detrimento dos pobres da América Latina, de África e da Ásia.”
Legitimidade
Não são os índios ou negros que devem pagar a conta mas os responsáveis pela crise, os banqueiros de olhos azuis”, sublinhou.
O presidente Lula sugeriu que o G-20, o grupo das economias mais desenvolvidas e emergentes, se tornou um fórum mais eficaz para tentar lidar com os problemas económicos mundiais e que o G8 - o grupo das nações mais ricas, não tinha agora legitimidade.
“A ONU devia ser o fórum para esses debates porque não se pode ouvir apenas aos países ricos, tem que ouvir os países pobres, é preciso ouvir o que pensa a Guiné-Bissau”, explicou.
Para o presidente brasileiro importa, agora, não apenas discutir a crise mas também o desenvolvimento.
“Precisamos aumentar a produção alimentar. É preciso acabar a política 'meramente assistencialista' de dar dinheiro para isto ou para aquilo. É preciso que se construam parcerias com os países africanos para que estes sejam donos do seu nariz”, defendeu.
Fonte: BBC
14 de Setembro de 2009

1 Comentários:

Blogger Penélope Sierra disse...

Impresionante hasta el punto de hacerte parar y pesnsar...sentir!

17 de setembro de 2009 às 14:57  

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