sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Fotografia


Parece-me que Serralves não conseguiu, ou nem sequer tentou, passar a informação de que David Goldblatt é possivelmente o maior, o mais importante, fotógrafo actual.
Não é uma questão de longevidade (não é só o maior fotógrafo vivo), embora ele continue, de facto, uma carreira com 58 anos de actividade, que foi tardiamente consagrada e posta em circulação mediática já depois de 2000.
O que aqui importa, para lhe chamar o maior fotógrafo do presente, é que aos 77 ou 78 anos, DG ampliou com grande energia e inventividade a sua obra com a passagem à cor, à impressão digital, ao grande formato, avançando ao mesmo tempo da imagem isolada para a instalação de dípticos e a criação de trípticos, como se pode ver em Serralves, numa exposição de obras muito recentes e algumas inéditas que é também uma revisão da carreira sob uma nova abordagem. Novas pistas temáticas e diferentes maneiras de ver tornam ainda mais exemplar (e único) o trabalho de um fotógrafo que interroga a história, a situação actual e o futuro possível do seu país, a África do Sul.
É tambem por nos mostrar o que sabe da África do Sul (com tudo o que este país significa e importa no seu continente e no mundo) - e por nos mostrar como a fotografia pode hoje como sempre (e sempre por novos caminhos) investigar e documentar uma história, um lugar e as suas contradições e conflitos, que DG é o mais importante fotógrafo do presente.
Ao apresentar as suas fotografias na inauguração (e na gravação que se irá poder ouvir no audio-guia da exp.), ao comentá-las numa sessão pública no dia 26 em Serralves, respondendo às questões do comissário Ulrich Loock e do público, David Goldblatt foi tb, em pessoa, o mais fascinante dos fotógrafos, o mais lúcido e empenhado informador sobre o seu trabalho.
Ter conseguido cruzar o mundo da chamada arte contemporânea (Documenta, MACBA, Serralves...) e os circuitos da fotografia (Arles, por exemplo), ambos tendencialmente fechados sobre si mesmo, é igualmente um dado importante, com o qual a sua obra tb abre e consolida caminhos.

1 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

so hà waites nesta lerda

14 de setembro de 2008 às 15:46  

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