domingo, 7 de setembro de 2008

Moçambique: 7 de Setembro, 34 anos depois....

Samora Machel, Mário Soares e Kenneth Kaunda Lusaka, 7 de Setembro de 1974

Faz hoje 34 anos que foi assinado o acordo de Lusaka entre Portugal e a FRELIMO.
As conversações, que decorreram entre 5 e 7 de Setembro de 1974, prepararam o processo de descolonização e fixaram a independência para 25 de Junho de 1975.
Desde o dia 5 de Setembro que Lourenço Marques era palco de diversas manifestações de apoio à FRELIMO.

No Estádio da Machava, as negociações eram acompanhadas por milhares de pessoas em clima de festa. O comício era contínuo.

Foi organizado por sectores ligados à FRELIMO, e apoiado por grupos de esquerda da capital, tais como os Democratas de Moçambique, o LEMA e a Associação Académica de Moçambique. Mas, à direita, as posições extremavam-se e tentavam travar o processo que conduziria Moçambique à independência.
Muitos que não concordavam com o rumo que a História estava a levar, tentavam uma solução tipo Rodésia.
A 7 de Setembro de 1974, adeptos do FICO, militares portugueses, muitos brancos e alguns negros ocuparam no Rádio Clube de Moçambique.
Auto-denominavam-se Movimento Moçambique Livre e atribuíam a sua revolta directa ao arrastar de uma bandeira portuguesa na baixa da cidade.

Acusavam os simpatizantes da Frelimo de serem os responsáveis pela provocação. Mas, em causa, estava mesmo o acordo de Lusaka e a inevitabilidade da independência a 25 de Junho. Uma enorme multidão concentrou-se em frente ao RCM. Foi o começo de 4 dias de conflitos.
Um grupo de revoltosos assaltou a Penitenciária e libertou todos os presos.
Entre eles estavam vários agentes da PIDE/DGS.
Alguns grupos chegaram mesmo a controlar os CTT e o Aeroporto.
Em Lourenço Marques o saldo foi trágico.
Os confrontos e ataques entre os revoltosos e os apoiantes da Frelimo causaram um número indeterminado de mortos.
Não há dados certos, mas poderão ter morrido entre 300 a 1.500 pessoas.
Em Lusaka, as delegações de Portugal e da FRELIMO mantiveram o acordo.
A 12 de Setembro chegou a Lourenço Marques o Alto-Comissário português, Vítor Crespo, e no dia seguinte, pisaram o solo da capital os primeiros dirigentes da Frelimo que iriam integrar o Governo de Transição.
A tomada de posse ocorreu a 21 Outubro.
Tinha como Primeiro-Ministro Joaquim Chissano.

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